Carta para quem achar


A gente se encontra. Alguma hora a gente se encontra, acredite. Achar-se nas coisas é um processo lento, que requer anos de prática. É quase como um estado de (de)composição na natureza. Aos poucos, a gente começa a se encaixar, se acomodar, fazer parte. Mas isso nunca basta. É preciso se encontrar. E te digo mais uma coisa: é mais que necessário se desencontrar dentro de si. É essencial a fuga dos sentidos, do medo, do previsível, do estável. Fuja de tudo aquilo que não parece e não merece emoção. Fuja... mas não tenha pressa. Achar-se nas coisas requer o mesmo tempo de uma árvore milenar. Mas acredite, a gente se acha. A gente se acha tanto, que nem achamos que é possível. E a gente se acha mais quando nos achamos. Sei que parece loucura, mas alguma hora vamos nos achar por essas bandas e rir de tudo. Você vai achar-se nas pessoas, em cada olhar, em cada sorriso, em cada passo. Vai achar-se nos objetos - que te acharão primeiro - e eles serão seus companheiros fiéis. Vai achar-se em algum lugar, dentro ou fora, frio ou quente. Vai achar-se em uma dança e praticá-la sem nem perceber. Vai achar-se em um papel em branco. Vai achar-se em animais e ver o quão parecidos são. Vai achar-se num devaneio, num sonho, numa pintura, numa nota musical, num cafuné, num sabor, numa voz, num cheiro, numa pedra, no mar. E no meio disso tudo, você vai achar muito mais além de si mesmo. Mas essa parte eu deixo pra você descobrir só. Mas posso te dizer uma coisa: é infinitamente lindo. E quando você estiver, conscientemente, fazendo parte de maneira quase que magnética, vou te achar e perguntar o que achou.

Com carinho, um achado no meio do caminho.

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