Efeitos colaterais da vida criativa


Levar uma vida criativa tem enorme valor. Exercer a criatividade através da arte me faz exercer a criatividade em diversos outros âmbitos que não têm nenhuma relação com habilidades manuais e artísticas. Eu consigo me comunicar melhor; consigo enxergar soluções alternativas para problemas quadrados; passei a habitar melhor os ambientes e a enxergar novas possibilidades de ocupar os espaços; consigo me relacionar com pessoas completamente diferentes porque tudo acaba sendo um ponto de referência; passei a estar mais aberta e receptiva para experimentar novas sensações; dou um jeito de fazer coisas que nunca achei que faria. Criatividade é sobre permitir se encontrar com uma parte adormecida do seu cérebro e com a parte mais viva do seu coração.

Parece papo de goodvibes quando digo que a arte tem o poder de curar, que traz mais sentido pra vida ou que alimenta a alma. Infelizmente (apesar de eu concordar com essas afirmações e falar isso de vez em quando), às vezes, essa forma de falar sobre arte mais afasta do que aproxima. Tem gente que não tá nem aí pra nada disso e só quer saber o seguinte: isso vai me servir pra quê? Como posso utilizar isso na vida? Como vou aplicar esse conhecimento no dia a dia? Isso vai me trazer dinheiro? Por que eu devo investir numa coisa que não é tão útil?

Eis aqui o meu papel de educadora de olhares! Muito provavelmente, essa seja a minha tarefa mais difícil dentre todas as funções que o meu trabalho exige. Convencer as pessoas de que a arte é importante, de que vale a pena, de que será um investimento num conteúdo rico e valoroso, de que através dela, o mundo vai se tornar mais especial. Vender a própria arte (seja ela qual for) envolve muitas questões mais complexas do que parece.

Quando uma pessoa paga por um trabalho artístico, ela está entendendo que ali existe um valor agregado, que pode ser entendido como: financeiro, conceitual, histórico, espiritual, emocional, material, intelectual... e mais uma infinidade de valores que as pessoas encontram (e que, às vezes, nem o próprio artista consegue ver ou nunca teve a intenção de colocar).

Quando uma pessoa escolhe um artista e não outro, ela está escolhendo também as referências nas quais o artista se inspira. Sim! Escolhemos o trabalho de um artista porque nos identificamos com o que ele tem pra dizer, a forma como ele diz e pelos caminhos que fez para chegar onde está, para dizer o que tem pra dizer, exatamente do jeito que disse! Ufa! Entram aqui referências artísticas, vivências pessoais, temas de interesse, narrativas criadas a partir de perspectivas únicas, sentimentos atravessados... isso tudo, a querida Rafa Cappai, chama de capital humano criativo. E é daqui que sai o valor que se agrega às expressões e produtos artísticos que consumimos.

Mas somente artistas têm esse tal capital? Não! Todos nós temos e é algo único. Faz parte da nossa identidade. O tempo inteiro, nosso capital humano está sendo atualizado com novas informações. Mas será que você tá valorizando tudo que tem acumulado nele? Como você pode compartilhar com outras pessoas um pouquinho disso que faz você ser você? Você pode contar sua história através da arte (ou não).

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