Muitos silêncios têm potencial de discursos


Eu trabalho em silêncio, boa parte das vezes. Não é toda música que combina com o que to fazendo, que me coloca 100% onde devo estar. Lógico que tem momentos que estou cantando, dançando, pintando, recortando e colando, tudo ao mesmo tempo, sem problema nenhum! Mas nesses momentos de solitudes e silêncios externos, me permito ouvir as cores dos pensamentos e enxergar os sons do meu processo criativo. E eu ouço tanta coisa boa, tanto diálogo doido, tantos encontros legais. Meus ouvidos, quando resolvem passear junto com meus olhos, descobrem que também são capazes de enxergar. E deveria ser assim no resto da vida também né: a gente deixar nossos ouvidos passearem com os olhos dos outros, para enxergar as perspectivas que nós não podemos ter.

Muitos silêncios têm potencial de discursos. Tem silêncios provocados, que carregam alguns gritos. Tem silêncios tímidos, que se mostram verdadeiras festas quando quebrados. E venho tendo quase certeza (jamais absoluta), de que o silêncio costuma incomodar porque escancara a verdade, essa coisa que tentamos miseravelmente esconder.

O silêncio gosta de brincar de disfarces, mas não de mentiras. O silêncio é um carnaval se fantasiando do que quiser, mas quando a brincadeira acaba, ele volta a ser o fundo do mar, tranquilo, abundante, misterioso e vivo.

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