Pare de usar a desculpa de que não tem o dom!

Atualizado: Fev 18




Se a gente não sabe que uma coisa existe, naturalmente, a gente não vai procurar se informar e aprender, vamos permanecer nesse campo da incompetência inconsciente (é onde dizemos: o que é isso? Nem sabia que existia).

A partir do momento que já sabemos que uma coisa existe e, ainda assim, não procuramos nos informar e aprender, passamos pro campo da incompetência consciente (é quando pensamos: ah, isso eu não sei fazer).

Quando aprendemos essa coisa que já sabemos que existe, elevamos para o estágio da competência consciente (é quando percebemos que: não era tão difícil fazer isso, agora eu já sei!). A partir daqui, a prática constante daquele novo aprendizado cria o estágio da competência inconsciente (finalmente dizemos: posso fazer isso de olhos fechados!).

É bem fácil permanecer na segunda etapa. Geralmente, as pessoas que estão nela falam: "isso não é pra mim", "não sirvo pra fazer isso", "não tenho esse dom", "nossa, gostaria tanto de saber fazer isso". Huuum, será que gostaria mesmo?

O que eu (e acredito que outros artistas também) mais ouço das pessoas que admiram o meu trabalho são coisas como "parabéns, você tem o dom!". Bom... essa é uma das coisas que nos deixa um pouco tristes (pra não dizer p* da vida). Pra que nossos trabalhos tenham se tornado bons e admiráveis, nós passamos por todo esse processo de aperfeiçoar as competências, de treinar habilidades, errar, testar, inventar caminhos, se frustrar com os resultados. Esse mito da genialidade de que a inspiração vem num momento eureka e assim nasce uma grande obra, adivinha o que é? Apenas um mito mesmo! Usado pra te convencer de que não vale a pena gastar suas energias (e seu dinheiro) pra aprender uma coisa do zero, se tem gente que, teoricamente, já nasce sabendo. O papel em branco é desafiador mesmo! Se você não se propor a errar, será bem difícil acertar.

É mais ou menos aqui onde quero chegar. Respondendo aquela pergunta difícil das pessoas que não engolem frases românticas sobre arte: bem resumidamente e de forma direta, a arte serve como uma ferramenta de autoconhecimento para você se expressar ou se permitir acessar a expressão de alguém. Você pode afetar e ser afetado através dela. Você pode utilizar a arte no seu dia a dia para aprender, estimular novos pensamentos, solucionar problemas de forma mais criativa, se comunicar, descobrir novas formas de estar no mundo, se exercitar fisicamente e mentalmente, testar suas habilidades e criar novas, explorar e acessar algumas memórias, entender mais sobre si mesmo e sobre o outro. Essa é uma definição bem simplória.

Se ainda não consegui te convencer de que vale a pena investir na arte como uma forma de ter uma vida mais criativa, eu acredito que você tenha outros métodos para exercer sua criatividade e tá tudo bem. Tá tudo certo! O que não tá bem é você permanecer afirmando, com unhas e dentes, que não é uma pessoa criativa, como se isso fosse alguma doença estranha. Deixe de bobagem! Veja quantas formas você encontra na vida de resolver situações, de contar uma piada, de combinar uma roupa com a outra, de arrumar sua casa, de dar aquele velho jeitinho, de mentir de vez em quando. Isso também é sobre criatividade. Criativos não tem nada a ver com essa polarização do mundo entre exatas x humanas; todo mundo tem potencial criativo (dentro e fora de suas profissões).

Aqui vai uma revelação bombástica pra você que ainda acha que arte não é pra você... o filme que você assiste, a novela, a série: é arte. A música que você adora: é arte. Aquela dança que você admira: é arte. O quadro na sala: é arte. O vaso de cerâmica: é arte. O livro na estante: é arte. O desenho que seu filho fez: é arte! Você está cercado, não tem mais saída. É pra você sim! E que maravilha! Isso não é dom.

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